"Quem canta, seus males espanta!"

 

                                                              Juliana Bertoncel


Todo mundo “sabe” que “quem canta seus males espanta”! Esta afirmação é um daqueles conhecimentos que passam de geração para geração, na qual basta você cantar um pouco para você se sentir melhor consigo mesmo e constatar a veracidade da afirmação, mas você sabe como e  porque cantar faz tão bem à você e à sua saúde física e emocional?


Fisiologicamente, você já deve ter percebido que sua respiração varia de acordo com suas emoções, pois quando você está nervoso ou assustado sua respiração fica curta e ofegante, diferente de quando você está triste ou desanimado. Quando você aprende a cantar, você aprende também a técnica da respiração completa, que é a respiração abdominal, a mais profunda. Além desta forma de respiração fornecer ar adicional aos alvéolos pulmonares, melhorando a circulação sanguínea e consequentemente a concentração, a memória e o sistema imunológico, você aprende a perceber-se através das alterações da sua respiração, e mais, aprende a se controlar e a modificar seu estado como melhor lhe convém.


Eu te convido a experimentar agora comigo: sente-se confortável numa poltrona ou sofá, com a coluna reta, feche os olhos e sinta sua respiração. (Atenção, faça este exercício sentado ou deitado, nunca em pé, pois a oxigenação excessiva pode causar tontura). Perceba como ela está. Se está curta, longa, agitada, assustada, calma...; comece então a controlá-la. Sem forçar e respeitando seus limites, lentamente, tente encher ao máximo a “sua barriga”, preencha toda sua região abdominal e intercostal de ar. Perceba como você se sente cheio de ar, como está seu corpo e suas emoções. Observe-se, escute-se. Depois, lentamente, comece a soltar o ar pela boca, esvaziando o seu corpo como se você estivesse esvaziando uma bexiga. Repita este procedimento algumas vezes e depois observe como se sente. Está mais calmo? Mais relaxado? Diminuíram as dores e a concentração melhorou? Sente-se mais disposto?


Como você deve ter percebido, o nosso corpo é o instrumento de temos para nos comunicar, para colocar para fora toda tensão física e emocional acumulada, e a voz, é o principal canal de comunicação do indivíduo consigo mesmo e com o mundo ao seu redor.


Agora imagine o poder que o canto não tem quando usado de forma terapêutica, orientado por um profissional qualificado cantoterapeuta?


O canto, quando usado dentro de um processo terapêutico, é coadjuvante em tratamentos de transtornos de ansiedade, problemas respiratórios (asma, bronquite, enfisema pulmonar, DPOC), síndrome do pânico e fobias, quadros depressivos, timidez, baixa auto-estima, problemas de comunicação/linguagem, problemas com o autocontrole e a autoconfiança, entre outros. Isso porque, através do canto, o indivíduo entra em contato com emoções internas que não são percebidas de maneira racional, aprende a se perceber e a entender como ele se relaciona com o mundo, elimina antigos bloqueios e leva o cliente a novas descobertas sobre suas potencialidades.


A voz  revela a personalidade do indivíduo. O timbre de cada voz é único e a maneira como a pessoa fala e canta, revela os seus sentimentos acerca de si mesma e suas emoções internas. Por isso também que é tão comum as pessoas ficarem temporariamente afônicas quando sofrem um grande trauma em suas vidas.


Agora você que é rouco e desafinado, que acha sua voz feia e se considera que nasceu sem talento pro canto, deve estar pensando: “isso não é pra mim!”. Engano seu. Estes “achismos” acima são crenças e conceitos que você tem sobre você mesmo, sobre seus potenciais e habilidades. Para transformá-los, é preciso ouvir-se sem julgamentos, entrar em contato com o medo de se expor e de errar e e estar disposto a entender, acolher e a redescobrir a sua voz. “A voz humana não precisa de formação. Ela está lá, pronta, perfeita, esperando ser desvendadaValborg Werbeck-Svärdström, fundadora do método de Cantoterapia Desvendar da Voz.


Segundo Diane Austin, doutora em musicoterapia, “quando cantamos, estamos intimamente conectados com a nossa respiração, nossos corpos e nossas vidas emocionais. Por estas razões, cantar pode ser uma experiência tanto poderosa como ameaçadora. O medo do julgamento, sobre a maneira como cada um se expressa sonoramente, pode inibir qualquer tentativa de cantar, mesmo quando há um forte desejo de fazê-lo. Para clientes que tiveram uma história de abuso, o simples ato de abrir a boca pode ser estressante. Quando uma pessoa aprendeu a viver em silêncio e a negar sua verdade emocional, encontrar a própria voz requer coragem”.


Dê essa chance a você! Não continue a silenciar sua voz, seus desejos e quem você é! Aprenda a respirar, a se perceber, a se ouvir, a se conhecer, cante e seja feliz!