Musicoterapia, Cantoterapia, Aulas de Música
MEU FILHO NÃO QUER COMER!
Juliana Bertoncel
Quem é pediatra sabe o quão freqüente é essa preocupação por parte das mães. No entanto, essa preocupação não revela apenas a questão com a falta de apetite da criança, revela também o quão importante é para a mãe a relação que se desenvolveu em torno do ato de alimentar sua cria.
Desde que o bebê nasce, ao dar a primeira mamada no peito de sua mãe, fome para ele nunca mais significará apenas o ato de comer. Ao mamar, o bebê recebe também o calor, o toque, o cheiro, o aconchego e todo o afeto da sua mãe. Dar de mamar e alimentar bem seu filho é uma forma de continuar a dar a vida para ele, por isso as mães se sentem tão mal quando seus filhos recusam o peito ou uma comida feita com carinho. Alimentar-se deixa de ser apenas um ato para sobrevivência e passa a ser um meio de troca, comunicação e muitas vezes motivo de oposição e chantagem. Se os filhos percebem essa dependência emocional da mãe com relação à comida, vão usar isso propositadamente para atingir à mãe e conseguir o que querem.
Por exemplo, podem passar a vomitar após a mamada para chamar a atenção da mãe e prolongar o período de aconchego, ou não encostar na comida, só comendo fora das refeições ou segurar a comida por muito tempo na boca e depois cuspi-la, para novamente conseguir que as atenções se voltem para ele.
Lembre-se: se o bebê e a criança forem saudáveis, eles são capazes também de se auto-regular com base nos sinais de fome e saciedade. Fique tranqüilo, toda criança come quando está com fome e para de comer quando está satisfeita. Não os forcem a comer tudo raspando o prato nem faça chantagens com comidas gostosas, do tipo, se você comer tudo eu te deixo comer aquele pacote de bolacha de chocolate. Se forem muito forçados, poderão se tornar insensíveis aos sinais de saciedade enviados pelo estômago e no futuro próximo desenvolverem uma obesidade infantil. Também correm o risco de associar as sensações de um estômago estufado de tanto comer a uma sensação psicológica de bem-estar (não há brigas nem discussões quando ele come tudo) o que mais pra frente, sob este estímulo condicionado vai resultar com que seu filho busque na comida uma maneira rápida e inconsciente de enfrentar frustrações e decepções. Estimular a criança a dizer quando está satisfeita permite que ela aprenda a exercer controle sobre si mesma.
Hoje em dia temos a maior incidência de casos de obesidade no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, 22 milhões de crianças no mundo, com menos de 5 anos são obesas. O excesso de peso não provoca apenas prejuízos na saúde física. Atinge também a saúde emocional e mental da criança. Não é raro que crianças acima de peso sejam vítimas de piadinhas maldosas e apelidos depreciativos. Como resultado, vemos nessas crianças um comportamento muitas vezes agressivo, de isolamento e com um sentimento de inferioridade. A criança crescerá com problemas de auto-estima e com uma perda significativa em sua qualidade de vida.
Mãe, aprenda a separar: se o seu filho rejeita a comida deliciosa que você preparou com todo carinho, ele está rejeitando o alimento e não você. Levar para o lado pessoal o comportamento do filho não ajuda a resolver. Recusar a comida de vez em quando não vai afetar a saúde geral da criança. Seja rígida em fornecer alimentos saudáveis nas principais refeições, em manter uma disciplina de horários, em estimular boas maneiras e em fazer o maior número de refeições sentada a mesa junto com seu filho. Mas seja também flexível caso ele recuse algum alimento e compreensiva em entender que a criança quando está cansada ou com muita fome não cooperam tanto.
Evite também oferecer alimentos como prêmio ou como castigo. Tome cuidado também para não dar mensagens ambíguas para seus filhos, como brigar com eles porque eles comem muita “besteira” durante a tarde, mas não ter nenhuma fruta na fruteira e a dispensa lotada de salgadinhos, bolachas e refrigerantes. Você também precisa dar o exemplo, não adianta querer que seu filho coma purê de batata com espinafre refogado enquanto você come um pastel de carne. As crianças aprendem a comer por imitação. Ela só aceita comida nova quando vê um adulto comendo. Só assim ela se sente segura sabendo que esta comida não irá lhe fazer mal. Portanto, dê bons exemplos!
Para você mãe, que já tem um filho acima do peso não exite em procurar acompanhamento. O quanto antes a família mudar seus hábitos alimentares e passar por um acompanhamento psicoterapêutico (como musicoterapia, ludoterapia, psicologia e outros), mais saudável e feliz seu filho crescerá.
Até a próxima edição!